Um redesign de website não deve começar porque “o site parece antigo”.
Deve começar quando existem sinais concretos de que o website já não acompanha os objetivos do negócio, as necessidades dos utilizadores ou a evolução tecnológica.
Hoje, um website pode desempenhar várias funções: apresentar uma empresa, captar leads, apoiar vendas, disponibilizar serviços, integrar sistemas, vender online ou reforçar a autoridade da marca.
Quando deixa de cumprir essas funções de forma eficaz, pode ser altura de repensar a experiência.
Mas um redesign eficaz vai muito além de alterar cores, fontes e imagens.
Implica analisar estratégia, conteúdo, UX, performance, SEO, acessibilidade, tecnologia e conversão.
Um redesign pode assumir diferentes níveis de profundidade.
Em alguns casos, basta melhorar componentes específicos, como:
Noutros, pode ser necessário rever praticamente toda a plataforma:
É importante distinguir também redesign de rebranding.
Uma empresa pode redesenhar o website mantendo a identidade visual atual. Da mesma forma, pode desenvolver uma nova identidade de marca e posteriormente aplicá-la ao ecossistema digital.
O essencial é garantir coerência entre a experiência digital e aquilo que a organização representa.
Este é provavelmente o sinal mais importante.
Um website pode ser visualmente apelativo e, ainda assim, não cumprir os seus objetivos.
Algumas perguntas ajudam a perceber isso:
Neste contexto, redesign não significa necessariamente começar tudo do zero.
Pode significar identificar pontos de fricção e redesenhar precisamente aquilo que está a impedir a conversão.
Performance deixou de ser apenas uma questão técnica.
Pode ter impacto direto em comportamento e resultados comerciais.
A Vodafone realizou um teste A/B entre uma landing page otimizada e uma versão equivalente não otimizada. Uma melhoria de 31% no Largest Contentful Paint (LCP) esteve associada a:
O caso é interessante porque as páginas eram visual e funcionalmente semelhantes. A diferença estava essencialmente na performance.
Ou seja, um redesign pode criar valor sem necessariamente alterar drasticamente a estética.
Pode simplesmente tornar a experiência mais rápida e eficiente.
A redBus oferece outro exemplo.
Ao melhorar a métrica Interaction to Next Paint (INP) em 72%, a empresa registou um aumento global de 7% nas vendas.
Neste caso, o problema estava em interações lentas causadas por processamento excessivo de JavaScript.
Para o utilizador, isto traduzia-se numa experiência menos fluida.
Para o negócio, traduzia-se em oportunidades de melhoria de receita.
É precisamente por isso que um processo de redesign deve avaliar também:
Empresas mudam.
Podem surgir:
Quando isso acontece, é frequente o website continuar organizado com base numa realidade que já não existe.
Um exemplo simples:
Uma empresa que inicialmente vendia apenas um serviço pode, alguns anos depois, ter três áreas distintas de negócio.
Se o website continuar construído em torno da oferta original, o utilizador terá dificuldade em compreender a empresa atual.
Neste cenário, redesign é também um exercício de arquitetura de negócio.
É necessário decidir:
O artigo original referia que 17% do tráfego provinha de dispositivos móveis. Esse número já não deve ser utilizado.
Mais importante do que procurar uma percentagem global é compreender que a própria Google utiliza a versão mobile do conteúdo para indexação e ranking, através do modelo mobile-first indexing. A Google recomenda explicitamente websites mobile-friendly e identifica o responsive design como uma das configurações adequadas.
Isto significa que a pergunta já não deve ser:
“O website também funciona no telemóvel?”
Mas sim:
“A experiência mobile é tão boa quanto deveria ser?”
Um redesign deve avaliar:
À medida que os websites crescem, acumulam frequentemente:
O resultado pode ser um website tecnicamente completo, mas difícil de utilizar.
Um redesign deve aproveitar para rever a arquitetura da informação.
A Baymard Institute mantém atualmente benchmarks de centenas de grandes websites de e-commerce, analisando milhares de elementos relacionados com navegação, pesquisa, páginas de produto, checkout e mobile UX. A própria organização refere que a sua investigação é utilizada por mais de 29.000 profissionais de UX e por 71% das empresas Fortune 500 com e-commerce.
A lição é simples:
UX não deve ser decidida apenas por gosto pessoal.
Deve apoiar-se em comportamento, testes e boas práticas validadas.
Um redesign também deve considerar SEO desde o início.
Não basta migrar o mesmo conteúdo para um visual novo.
É necessário avaliar:
A Google continua a utilizar um crawler mobile como padrão e recomenda o Search Console como ferramenta central para monitorizar e otimizar o desempenho na pesquisa.
Um redesign mal planeado pode, aliás, causar perda de tráfego orgânico.
Por isso, a migração deve incluir um plano de SEO técnico antes, durante e depois do lançamento.
Nem todos os problemas são visuais.
Às vezes, o verdadeiro sinal de redesign é ouvir constantemente:
“Isso não dá para fazer no site atual.”
Pode acontecer porque:
Nestes casos, redesign pode implicar replatforming ou desenvolvimento à medida.
A pergunta deixa de ser apenas “como queremos que o website pareça?” e passa a incluir:
“Que infraestrutura digital precisamos para os próximos anos?”
Este ponto é frequentemente esquecido.
Um website moderno deve estar integrado com a operação.
Por exemplo:
Imagine uma empresa que recebe dezenas de pedidos através do site, mas cada formulário chega apenas por email.
O website pode estar a gerar procura.
Mas o processo está a criar fricção.
Neste caso, um redesign pode também significar redesenhar aquilo que acontece depois do clique.
A Renault analisou mais de 10 milhões de visitas em 33 países durante quatro meses e encontrou uma forte relação entre melhor LCP, menor taxa de rejeição e melhores taxas de conversão. Nos seus cinco principais mercados europeus, a percentagem de visitantes com LCP rápido aumentou de 51% para 73%.
A empresa passou também a tratar performance como uma responsabilidade contínua entre equipas.
Cedric Bazureau, Tech Lead da Renault, sintetizou bem esta ideia:
“Performance requires constant monitoring.”
Esta frase é particularmente relevante para redesign.
Um website não fica “terminado” no dia em que é lançado.
Nem sempre é necessário fazer um redesign completo.
Pode ser preferível trabalhar em ciclos:
Analisar → identificar problema → testar → medir → melhorar.
Um redesign total faz mais sentido quando existem vários problemas estruturais simultaneamente, por exemplo:
Já uma abordagem incremental pode ser suficiente quando o problema está concentrado numa área específica.
Quando existe uma razão estratégica para avançar, os benefícios podem incluir:
Navegação mais clara, menos fricção e jornadas mais simples.
Melhoria de CTAs, formulários, páginas comerciais e processos.
Arquitetura e tecnologia mais eficientes.
Estrutura, conteúdo e performance preparados desde a base.
Backoffice mais simples e processos de publicação mais eficientes.
Uma plataforma preparada para novas integrações e funcionalidades.
O website passa a representar corretamente o posicionamento atual da empresa.
Um redesign mal conduzido pode gerar:
Um dos erros mais comuns é começar pelo design visual antes de analisar os dados.
O processo deveria começar por:
Uma checklist simples:
Se várias respostas forem negativas, existe uma boa razão para avaliar um redesign.
Um redesign de website não deve ser tratado como uma mudança estética periódica.
É uma oportunidade para questionar se o principal ativo digital da empresa continua preparado para cumprir os seus objetivos.
Os casos da Vodafone, Renault e redBus mostram que melhorias de experiência e performance podem estar associadas a ganhos mensuráveis em conversão e vendas.
Por isso, a pergunta certa não é:
“O nosso website parece antigo?”
É:
“O nosso website ainda ajuda o negócio a crescer?”
Se a resposta for não, então talvez esteja na altura de repensá-lo.